A primeira adaptação da peça de Woody Allen no Brasil não se saiu nada bem. Com tradução de Raquel Ripani e adaptação de Alexandre Reinecke, temos uma espécie de coleção simplista de máximas, e pouca química entre o elenco. Além disso, a mudança feita do original, ao fim da peça, pode parecer algo interessante num primeiro momento, mas muda completamente o sentido proposto pelo dramaturgo e cineasta novaiorquino. A peça esteve em cartaz no Teatro Frei Caneca por um bom tempo, e eu fui vê-la na noite de encerramento da montagem. Me impressionei pouquíssimo, e não fosse o texto excelente de Allen, nada se salvaria.
O cenário pensado pelo diretor é de um ar minimalista quase desagradável, baseando-se apenas nas luzes e em umas poucas músicas para marcar a passagem do tempo. No final das contas, nada pareceu exatamente satisfatório, e por pouco eu não classificaria a montagem como UM GRANDE FRACASSO.
A atuação de Fábio Assunção – que volta ao teatro depois de dez anos fora dos palcos – é sofrível, e dá pouca simpatia ao maravilhoso personagem de Fred, o alter ego do escritor perturbado que tem um caso com uma mulher e não consegue se ver livre dela. A mesma coisa vale para a Bárbara de Carol Mariottini, outra canastrona em cena. Quem se salva, e com muito louvor, é Norival Rizzo, no papel do escritor Jim Swain.
Gostaria muito que a primeira versão de uma peça de Woody Allen no Brasil fosse um tremendo sucesso, com uma produção interessante e inovadora, interpretada por bons atores. Mas não deu. Não foi dessa vez.



















