domingo, 11 de dezembro de 2011

Teatro: Adultérios, de Woody Allen

          A primeira adaptação da peça de Woody Allen no Brasil não se saiu nada bem. Com tradução de Raquel Ripani e adaptação de Alexandre Reinecke, temos uma espécie de coleção simplista de máximas, e pouca química entre o elenco. Além disso, a mudança feita do original, ao fim da peça, pode parecer algo interessante num primeiro momento, mas muda completamente o sentido proposto pelo dramaturgo e cineasta novaiorquino.

          A peça esteve em cartaz no Teatro Frei Caneca por um bom tempo, e eu fui vê-la na noite de encerramento da montagem. Me impressionei pouquíssimo, e não fosse o texto excelente de Allen, nada se salvaria.

          O cenário pensado pelo diretor é de um ar minimalista quase desagradável, baseando-se apenas nas luzes e em umas poucas músicas para marcar a passagem do tempo. No final das contas, nada pareceu exatamente satisfatório, e por pouco eu não classificaria a montagem como UM GRANDE FRACASSO.

          A atuação de Fábio Assunção – que volta ao teatro depois de dez anos fora dos palcos – é sofrível, e dá pouca simpatia ao maravilhoso personagem de Fred, o alter ego do escritor perturbado que tem um caso com uma mulher e não consegue se ver livre dela. A mesma coisa vale para a Bárbara de Carol Mariottini, outra canastrona em cena. Quem se salva, e com muito louvor, é Norival Rizzo, no papel do escritor Jim Swain.

          Gostaria muito que a primeira versão de uma peça de Woody Allen no Brasil fosse um tremendo sucesso, com uma produção interessante e inovadora, interpretada por bons atores. Mas não deu. Não foi dessa vez.




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Música: Os Melhores Discos de 2011

          Estamos quase na primeira quinzena de dezembro, e é certo para quase todas as gravadores que o tempo de lançar álbuns já passou. A partir do dia 15/12, pouquíssimas gravadoras se arriscarão a lançar novos discos, e isso até a segunda semana de janeiro do próximo ano. Por isso, penso que é um bom momento para fazermos a nossa lista dos melhores discos lançados neste ano. Disponibilizo aqui duas listas, uma para os álbuns lançados no Brasil, a outra, para os internacionais. Vale lembrar que eu não sou nenhum crítico de música, logo, essa minha lista é totalmente baseada nos meus valores musicais, que compreende: composição (letra e música), proposta e resultado do álbum como um todo. Também vale citar que mais da metade dos álbuns internacionais foram comprados via internet ou baixado pelos canais disponibilizados pelos artistas. No caso dos álbuns brasileiros, todos foram adquiridos.  


LANÇAMENTOS BRASILEIROS


          É vergonhosa a quantidade de coisas ruins lançadas no país este ano. Mesmo álbuns que eu esperava gostar bastante, como Sexo, de Erasmo Carlos, acabou decepcionando. Para mim, os únicos lançamentos musicais bons no Brasil esse ano de 2011 foram os seis discos que se seguem, com destaque de louvor absoluto para os três primeiros colocados.


 CHÃO
Lenine

 CHICO
Chico Buarque

O QUE VOCÊ QUER SABER DE VERDADE
Marisa Monte

ELO
Maria Rita

PITANGA
Mallu Magalhães

O MICRÓBIO DO SAMBA
Adriana Calcanhotto


LANÇAMENTOS INTERNACIONAIS

          Aqui predomina o rock, como era de se esperar. Esse ano conheci muita coisa boa no gênero, e me impressionei com álbuns de bandas praticamente desconhecidas aqui no Brasil, mas que possuem uma qualidade tremenda. Minhas decepções nos discos estrangeiros foram com Aretha Franklin, cujo novo álbum me custou uma nota e quase não valeu a pena; e David Guetta, que vinha em uma maré de ótimos lançamentos, mas que parece ter cedido à "baladinha normal", e caiu muito em qualidade. Nesse tópico, gostaria de agradecer ao meu amigo Pedro Veblen, por ter me enviado a maior parte dos álbuns cujo lançamento aconteceu apenas na Europa ou Estados Unidos, e que barateou bastante as aquisições para mim. E lá vamos nós.


ANGLES
The Strokes

CALL TO ARMS
Saxon

ALL YOU NEED IS NOW
Duran Duran

LIONESS: HIDDEN TREASURES
Amy Winehouse

ICONOCLAST
Symphony X

WASTING LIGHT
Foo Fighters

KAIROS
Sepultura

THE KING OF THE LIMBS
Radiohead

BLACK AND WHITE AMERICA
Lenny Kravitz

I'M WITH YOU
Red Hot Chili Peppers

HOLDING ONTO STRINGS 
BETTER LEFT TO FRAY
Seether

domingo, 30 de outubro de 2011

Amar é Crime

          O novo livro de Marcelino Freire nos apresenta os males do amor. Não que isso seja algo novo na obra do escritor pernambucano, mas, desta vez, o amor está no alvo de sua palavra crítica.

          Trata-se de um livro mais maduro, consciente de seu “poder popular”, sua rima dos becos, suas cores e decepções amorosas, finais em frente ao tribunal, iconoclastia e desprezo pelo politicamente correto. Não há nenhum conto ingênuo em Amar é Crime. Mesmo os micro contos finais são de uma força e violência tamanhas, que não nos permite respirar sossegados, isentos da realidade que ali se apresenta. Marcelino Freire não muda o seu mundo, apenas troca a lente para observá-lo mais de perto. E esta observação revela o quão frágeis são as linhas que dividem a sanidade, o amor, o ódio, o crime.

          A leitura do livro é de uma deliciosa descoberta. Às vezes, a descoberta de si mesmo no comportamento de uma personagem, ou no pensamento do autor em relação ao seu mundo. Contos como União Civil e Vestido Longo são exemplos dessa realidade de mundo pessoal x mundo fictício, literário, espelhado, etc. Amar é Crime é um livro que impressiona, diverte, faz pensar, promove o debate, incita, excita, dá nojo, desenterra sentimentos e opiniões sobre a vida. Como um representante da “voz do povo”, Marcelino Freire não nega suas raízes, e mais uma vez, escreve para e pelos que não possuem voz.    

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A história egoísta de todos nós



          Há alguém no mundo que não seja egoísta?

          O altruísmo é um sentimento extinto, e todos nós sabemos disso. Do fundo de minhas perguntas sem resposta, indago se algum dia ele realmente existiu. E indago isso porque em qualquer hipótese, mesmo que o interesse imediato fosse o de salvar alguém de alguma coisa, o sentimento de posse e apego ao outro é quem gerou a defesa, o salvamento. É um assunto polêmico, por assim dizer, mas não creio que haja uma boa justificativa ao contrário para isso. Os discordantes, por favor, manifestem-se.

          Mas o pior não é ser egoísta, isso é um ingrediente vital para a alma. Não vamos falar de moderação ou intensidade do egoísmo. Isso é assunto para um texto mais chato e maior do que esse pretende ser. Sem egoísmo, não somos nós mesmos! Nossa vida não seria o que é se não desejássemos ardentemente alguma coisa e do nosso apego a ela, em detrimento do benefício ou importância dos outros, fazermos de tudo para consegui-la. Mas como eu dizia, o pior não é ser egoísta, o pior é desejar coisas proibidas.

          Um dos princípios do budismo dá conta do sofrimento, suas causas e sua cura. Nós sofremos porque desejamos ter, e sofremos porque temos. Dos dois estágios, o sofrimento em relação ao primeiro é maior. Quando se sofre pelo que tem, a angústia é o carro chefe, e daí partimos para uma outra conversa... Agora, o desejo do que não se tem é doloroso ou instigante, dependendo da situação.

         E se o objeto desejado puder ser alcançado, de alguma forma? E se ele não for totalmente impossível? Algumas conjecturas são traçadas nesse sentido, e para nossa decepção, passamos a traçar planos para conseguirmos o nosso desejo, sem ao menos nos importar com tudo o que essa atitude pode acarretar. Mesmo antes da sociedade do prazer imediato, estávamos mergulhados em um oceano de fast pleasure. Querer para já é algo natural do homem, eu penso. E o quanto isso é ruim, toda a história está aí para provar.  


Eu te liguei, você viu?

          Justo quando a gente menos espera a tal perguntinha surge. E não necessariamente o interlocutor pretende nos cobrar por algo que não fizemos, mas o fato de não ter atendido ao telefone (nesse caso, o celular) constitui-se quase um crime, e como nenhuma defesa nesse sentido é perfeita, um climinha se instaura e dá lugar a um climão.

          É necessário uma boa dose de energia para convencermos o outro de que não podíamos ou não queríamos falar - essa última tentativa é apenas quando desejamos MESMO dispensar o tal. O melhor jeito, já dizia alguém, é enrolar, fingir-se de morto e dar o braço a torcer, quase como uma afronta, num direito reverso:

          _ Não atendi mesmo, e daí? Algum problema?

          Às vezes, a coisa termina em brincadeira, às vezes o climão pode virar uma briga ou coisas a mais (e graves). Seja como for, o telefone celular é a pior coisa no Universo. A dívida moral que se tem com quem não se atende é tamanha que a culpa te consome até a desculpa ou as desculpas aparecerem. 


          Não fomos treinados para essa inclusão "via voz". Deveria haver um tipo de curso para que amigos, familiares e afins não encanassem com telefonemas não atendidos. Porque tem gente (mães...) que fantasiam sequestros, acidentes horríveis, roubo seguido de morte, e a lista segue, interminável.

          Às vezes é bom que o telefone toque... Que aquela pessoinha amada esteja do outro lado ou nos escreva uma mensagem com fofuchices declaradas. Isso é o lado bom da coisa. Mas convenhamos, às vezes, isso não compensa o aborrecimento e nem a “adagada” que é a tal pergunta dos frustrados não atendidos: “eu te liguei, você viu?”.


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